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La société belge de bienfaisance – Sociedade Belga de Beneficência

Foram criadas no Rio de Janeiro e em São Paulo, sociedades caritativas para ajudar compatriotas belgas.

Sociedade Belga de Beneficência do Rio de Janeiro

A colónia belga no Rio de Janeiro criou, para solução de problemas individuais de compatriotas a Sociedade Belga de Beneficência do Rio de Janeiro. Esta foi fundada em 6 de maio de 1852 e é uma das mais antigas no Rio de Janeiro, sendo precedida apenas pelas Sociedades Francesa de Beneficência e Suíça.

Os objetivos estão definidos no Art. 1 dos seus estatutos: “... é uma sociedade civil de direito Brasileiro, sem fins lucrativos destinados a auxiliar pessoas e instituições carentes sem distinção de cor, raça, condição social, credo político ou religioso, e projetos de desenvolvimento social e econômico a serem implantados no Brasil.”

Com a visita Real ao Brasil da S.M. Alberto I, rei dos Belgas, em 1920, houve S.M. por bem autorizar o título de Real a sociedade, passando então a se chamar Real Sociedade Belga de Beneficência no Rio de Janeiro.

Há discussão sobre quem era o primeiro presidente e o fundador. O Relatório da Real Sociedade Belga de Beneficência no Rio de Janeiro de 06 de maio de 1993 declarou que era o Sr. Marcel Victor Pecher. O jornal belga "L’Indépendance Belge" de 16 de junho de 1853 menciona:

Sobre a iniciativa tomada pelo Sr. Edouard Pecher, Cônsul Geral da Bélgica, uma Sociedade de Caridade Belga foi estabelecida no Rio de Janeiro, e todos os nossos compatriotas se apressaram em acolher este generoso pensamento, contribuindo com uma subscrição espontânea, e assim acarcando a menos de quatro mil francos como capital da primeira aposta, para colocar a Sociedade em posição de aliviar desde o início os infortúnios que viriam para busca-los. Além disso, as assinaturas permanentes fornecem, a partir de hoje, uma receita de dois mil francos para a Sociedade. Na primeira reunião do Consulado Geral, os estatutos foram discutidos e aprovados. O Sr. Edouard Pecher foi nomeado Presidente da Companhia e o Sr. Hanquet Vice-Presidente.

Diversas fontes confirmam que Edourd Pecher era Cônsul-Geral e Victor Pecher (seu irmão?) vice-cônsul em 1861 e cônsul em 1864.

Achamos nos jornais digitalizados da Hemeroteca da Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro diversas notícias sobre a diretoria da Sociedade e sobre suas atividades.

Em novembro de 1861 foi organizado no teatro Gymnasio, um concerto com a presença do Imperador e da Imperatriz. No domingo 3 de abril de 1864, nos salões do Club Fluminense no Rio de Janeiro, foi organizado um concerto vocal e instrumental com a participação do músico belga A. Reichert, em benefício dos "Asylos dos Orphãos de Santa Theresa" e da Sociedade Belga de Beneficência.

Os nomes de Felix La Rivière, C. Creten, João Baptista Lombaerts, D. Vlemincx, Charles e Victor Pecher, L. Laureys, Théodore Malchair, Damas Bolle, Francisco Bertrand, Charles Maes, J. Ketele, A. Verwée, Felix Sauwen, L. Mertens, L. Dewilde, E. Mahieu, A. Van de Capelle, aparecem com função de presidente, vice-presidente, tesoureiro e conselheiro até 1900.

O "Relatório da Repartição dos Negócios do Império" de 1871, menciona que a Sociedade tinha como patrimônio, 17 apólices da divida publica e subscrições promovidas das mensalidades de sócios no Brasil e na Bélgica. Ela despendeu com socorros a enfermos ou ingentes, subsídios para viagens ou regresso à pátria, medicamentos e enterros.

Até 1984, o Ministério Belga da Previdência Social ainda podia intervir para conceder ajuda substancial mínima à belgas indigentes no Brasil. Esta ajuda foi definitivamente suspensa pela estrita aplicação da legalização e a compressão a que está sujeito o sistema financeiro Belga. A sociedade está, portanto, só a enfrentar a situação e encontrar recursos que devem provir essencialmente das contribuições dos membros da colônia belga.

A sociedade é reconhecida como Utilidade Pública pelo Decreto Federal (Brasil) de 03 de junho de 1992.

Achamos poucas informações sobre as suas atividades atuais. Sabemos que a comunidade belga no Rio de Janeiro se reuniu no Hotel Sheraton, em São Conrado, em 2013. Eram 400 no encontro patrocinado pelo consulado geral da Bélgica com hospede o cônsul Bernard Quintin. A renda do almoço beneficente foi doada para a Real Sociedade de Beneficência Belga.

Os Srs. Charles van Hombeeck e Jan Daniêls eram presidentes (períodos desconhecidos) e que a partir de maio de 2019 a função está com Sr. Mervyn Scheepers.

Será que os leitores deste artigo poderiam me enviar informações adicionais?

Société Belge de Bienfaisance de São Paulo - Amicale Belge – Associação Beneficiente Belgo-Luxemburguesa e Brasileira de São Paulo

No dia 21 de julho, dia da independência da Bélgica, de 1912 foi fundada em São Paulo a Société Belge de Bienfaisance de São Paulo sob a presidência da Dra. Marie Renotte, médica. Foram encontrados vestígios desta entidade até o fim de agosto de 1920, época em que foi supostamente, extinta.

No decorrer da década de 1920, um grupo de belgas e luxemburgueses de São Paulo tomaram a iniciativa de fundar a Amicale Belge para auxiliar os seus compatriotas em dificuldade. Entre os fundadores estão os senhores Jean Verbist (Banco Italo-Belga), Raymond Schorremberg (Banco Sul Americano do Brasil), Nicola Hientgem (Consul do Luxemburgo), Fernand Van Calster (proprietário), Hubert Lemouche (comerciante), Edmond Van Parys (industrial), e outros.

Um artigo de jornal de 1923 menciona que a Société de Bienfaisance Amicale Belge enviou uma mensagem de pêsames à família do falecido senador Ruy Barbosa em março de 1923 [1]. Em carta datada de 22 agosto de 1938, o Cônsul da Bélgica, Henri Van Deursen, enviou os arquivos e os estatutos de 1925 desta associação para Henri van Emelen, secretaire de l’Amicale Belge. No dia 14 de setembro de 1938, o próprio Ad. Henri van Emelen escreveu ao Cônsul, mencionando a recepção destes arquivos e documentos [2]<.

Em 21 de agosto de 1952, esta entidade foi substituída pela Associação Beneficiente Belgo-Luxemburguesa e Brasileira de São Paulo. O objetivo desta associação é segundo o primeiro artigo de seus estatutos sócias “prestar serviços a pessoas necessitadas”, e o relatório de atividades 1990, explicita que este auxílio se faz “sem distinção de cor, raças, condição social, credo político e religioso”.

Nos arquivos guardados no Consulado Geral da Bélgica em São Paulo[3] encontram-se os balanços desde 1984 até 2000 desta associação, algumas listas de associados e doadores e relatórios anuais. A Associação cresceu de 59 associados em 1984 a 120 em 1994. O presidente da Associação Beneficente Belgo-Luxemburguesa e Brasileira de São Paulo era de (no mínimo) 1984 até 1994, Sr. Pierre Petit, sucedido pelo Sr. Jean-Michel Rosenfeld (de 1995 até no mínimo 2004), e o Sr. Maarten Waelkens (2012). A Ata da Assembléia Geral Ordinária de 20 de março de 2012 informa que a associação estava em liquidação.

Nos arquivos constam poucas informações sobre as atividades sociais. Tratam-se de ajuda às pessoas idosas ou doentes desprovidas de recursos, busca de hospedaria e contatos afetivos. Claro que é mantido nos relatórios o anonimato sobre essas pessoas. A origem e o gasto dos recursos são descritos com mais detalhes. A associação recebeu contribuições anuais de pessoas físicas e jurídicas, e, muitas doações. E a associação possuiu de um terreno de 10.000 m2 na região de Santo Amaro que foi doado em 1953.


[1] Jornal "O Paiz" de 9 de março de 1923

[2] Cartas encontram-se no arquivo do Consulado da Bélgica em São Paulo – fevereiro de 2017.

[3] Visita 4 de agosto de 2017

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