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Colônia Thereza em Paraná

A colônia Teresa / Thereza foi fundada em 1847 pelo medico francês° João Mauricio Faivre, com 80 famílias, às margens do Rio Ivaí (área onde ficam as atuais cidades de Prudentópolis e Cândido de Abreu), em Paraná.  “A próspera região do Vale do Ivaí existe por conta daqueles desbravadores franco-belgas, que, liderados por Faivre, adentraram as matas para fundar a primeira cidade planejada do Brasil”, disse o governador de Paraná, Orlando Pessuti, em 29/12/2010. 

“Faivre queria uma nova ordem, com um sistema econômico e social baseado na solidariedade comunitária, desapegada dos bens materiais”, explicou Artur Barthelmess. Ele é neto de Louis Barthelmess, ativista operário de Bruxelas, que, influenciado pelas ideias de Faivre, desembarcou na segunda leva de colonos pioneiros do Vale do Ivaí. 

A Colônia Thereza ou Therèseville foi assim chamada em homenagem à imperatriz Dona Thereza Christina, esposa de Dom Pedro II, de quem Faivre era amigo pessoal. Sem seguir as doutrinas socialistas da época, Faivre sonhava realizar, com suas próprias ideias, um mundo novo, assim eliminou a noção de lucro, colocando em primeiro plano o respeito pela família e a religião.

O médico João Maurício Faivre, fundador da colônia Thereza, decidiu-se a engajar colonos para fundar um estabelecimento de estrangeiros nos sertões paranaenses em maio de 1846, animado pela Imperatriz Thereza Cristina, com objetivo de criar um novo ‘sistema’ de colonização no qual os imigrantes tivessem sucesso na faina agrícola. Faivre conseguiu angariar pessoalmente 64 indivíduos franceses, que chegaram a Paranaguá no dia 18 de fevereiro de 1847, sendo obrigados a andar a pé 55 léguas até a região de destino de seu núcleo colonial. O fundador parecia inbuído de algum tipo de idealismo, uma vez que desejava evitar a “introdução do espírito da venda mercantil”, que considerava empecilho para uma colônia de agricultores europeus. A Imperatriz havia prometido 6:000$000 de réis para o empreendimento, que não foram liberados prontamente, fazendo com que Faivre tivesse dificuldades de financiar o estabelecimento.

Logo nos primeiros anos, com exceção de alguns colonos, todos os demais debandaram o núcleo, acusando seu fundador de tê-los enganados com diversas esperanças. Faivre atribuiu seu malogro à má escolha do contingente que o acompanhava. Dessa forma, Faivre começou a adotar os habitantes brasileiros das vizinhanças enquanto colonos. Em 1855 somavam-se 181 moradores brasileiros e 19 franceses. Mesmo as autoridades províncias não censuravam o emprego de 15 contos de réis na introdução desses colonos, uma vez que sua grande maioria ainda permanecia em trabalhos diversos na região. A intenção de que os nacionais pudessem ser introduzidos na colônia Thereza, ou que deveria haver algum contato com estes, já era esboçada nas primeiras comunicações do Dr. Faivre, que defendia a utilidade de seu empreendimento como meio de “civilizar (os indígenas) pelo exemplo, sem lhes fazer passar pelo estado da escravidão”. Num futuro regulamento colonial, dizia que seriam aceitos colonos de quaisquer nações, mesmos os escravos, proibidos de adentrar núcleos coloniais, seriam aceitos enquanto “forros” por um ano. Mesmo com a fuga de estrangeiros e grande afluxo de nacionais, as autoridades imperiais e provinciais não deixavam de olhar com bons olhos o empreendimento de João Maurício Faivre, considerando-o como um povoado estratégico numa área de litígio com os países platinos. A construção de uma estrada ligando o núcleo à cidade de Ponta Grossa era parte dos investimentos feitos quando já estava bem consolidada a posição da Colônia Thereza enquanto comunidade brasileira. Ainda assim, o estabelecimento colonial empreendido por Faivre conseguia ser uma empresa lucrativa, obtendo renda anual de 6 contos de réis enquanto seu custeio era por volta de 3:370 réis. Em função disso, acabou recebendo mais 6:000$ réis do Governo Imperial. Fonte: Colônias de estrangeiros ocupadas por brasileiros: Paraná (1847-1876) por Caiubi Martins Dysarz.

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"Ao embarcar no navio Fides, na Antuérpia (Bélgica) em dezembro de 1846, Jean-Maurice Faivre viu seu sonho de construir uma sociedade igualitária, nos moldes do socialismo, ganhar contornos de realidade. Ao lado de 63 franceses, encarou 52 dias de viagem até chegar ao Porto de Antonina, no Litoral do Paraná. O grupo subiu toda a Serra do Mar – a pé e a cavalo. Passou por Ponta Grossa abrindo caminho pela densa floresta da região.

O destino? As margens do Rio Ivaí. Após muita dificuldade, suor e cansaço, o médico e filósofo francês achou ter encontrado o ponto ideal para iniciar sua aventura. Mas Faivre não esperava que índios caingangues que habitavam os Campos Gerais os perseguissem. Acossados pelos nativos, Faivre e seus conterrâneos optaram por seguir até a confluência entre os rios Ivaí e Ivaizinho para construir, enfim, uma colônia denominada por ele de franco-brasileira."

"Por 11 anos, Faivre liderou uma utopia testada na prática. Ela acabou com sua morte, em agosto de 1858, aos 63 anos."

https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/uma-utopia-socialista-a-beira-do-ivai-0aubiagxjvu6f1iqa5ns7b4ni/

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O governador Orlando Pessuti recebeu a medalha de amigo da França, da sociedade de amigos do Doutor Faivre. A homenagem foi entregue pelo presidente e fundador da sociedade, Artur Barthelmess, em cerimônia no Palácio das Araucárias, nesta quarta-feira (29).
A sociedade foi criada para preservar a história do médico francês Jean-Maurice Faivre, que, em 1847, com 80 famílias de imigrantes, fundou a colônia Thereza Cristina, hoje distrito de Cândido de Abreu. “A próspera região do Vale do Ivaí existe por conta daqueles desbravadores franco-belgas, que, liderados por Faivre, adentraram as matas para fundar a primeira cidade planejada do Brasil”, disse o governador.
“Faivre queria uma nova ordem, com um sistema econômico e social baseado na solidariedade comunitária, desapegada dos bens materiais”, explicou Artur Barthelmess. Ele é neto de Louis Barthelmess, ativista operário de Bruxelas, que, influenciado pelas ideias de Faivre, desembarcou na segunda leva de colonos pioneiros do Vale do Ivaí.
Aluno de química de Barthelmess, entre 1971 e 1973, no Colégio Estadual do Paraná, Pessuti conheceu a história da colonização com o antigo professor. “Barthelmess é testemunha de um tempo em que o Paraná viveu o socialismo utópico, quando Faivre levou seus ideais humanistas até o interior e lá criou a Colônia Thereza, na época uma cidade modelo”, disse.
A Colônia Thereza ou Therèseville foi assim chamada em homenagem à imperatriz Dona Thereza Christina, esposa de Dom Pedro II, de quem Faivre era amigo pessoal. Sem seguir as doutrinas socialistas da época, Faivre sonhava realizar, com suas próprias ideias, um mundo novo, assim eliminou a noção de lucro, colocando em primeiro plano o respeito pela família e a religião.

fonte: https://tnonline.uol.com.br/noticias/politica/,63080,29,12,pessuti-recebe-homenagem-de-sociedade-civil-do-vale-do-ivai 

° Algumas fontes mencionam que a sua nacionalidade era belga que parece não estar correta. Conforma a Wikipedia, ele nasceu em Combe Raillard, Jura, França, 21 de setembro de 1795 e faleceu na Colônia Teresa Cristina, 30 de agosto de 1858. https://pt.wikipedia.org/wiki/Jean_Maurice_Faivre 

Fontes:

Português, Brasil