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Família Thon na Serra do Mar (SP)

Além de colônias de imigrantes, planejadas pelo governo paulista, na região de São Paulo houve núcleos espontâneos de colonização. Quando a São Paulo Railway, primeira ferrovia de São Paulo, decidiu construir uma linha que ligava o capital em direção a Santos, programou diferentes paradas no pé da Serra do Mar.

Em 26 de janeiro de 1886 desembarcaram em Santos uma família de belgas provenientes de Charleroi. Eram Lucien Antoine Thon, sua esposa Josephine Marie Lixon e os filhos Desiré Homero e Clara. Lucien comprou propriedades na Estação de São Bernardo e se estabeleceu como comerciante. Seu filho Homero quem nasceu em 29 de agosto de 1866 foi contratado para trabalhar na Light and Power e chegou a chefiar equipes que construíram a Barragem de Capivari e Canal Smith, na Represa Billings.  Homero casou-se com em 1897 com Luiza Zumbuhl (14-5-1875 – 10.03.1951), filha da família suíça que chegou no local um ano antes dos Thon. Clara casou-se com Luíz Pinto Fláquer Junior.

Homero Thon Chácara Suiça

Em 1900, os belgas já dominavam grandes áreas na região. Homero adquiriu, em 1913, as terras do sogro, chamadas Chácara Suíça. O patriarca, Lucien, está sepultado em São Bernardo – quando morreu, não havia cemitério em Santo André.

Peras produzidas na Chácra Suiça do belga Homero ThonHomero Thon introduziu no Brasil, os primeiros pés de pêras, ameixas, maçãs e caquis. A chácara de papai abastecia o Mercado Municipal de São Paulo. Tinha dois mil pés de pera, 600 de ameixas do Japão e 300 macieiras relata seu filho Arthur Thon no Diário do Grande ABC, 7 de novembro de 1976. Aproveitavam o barro para fazer cerâmica e usavam um sistema de vagonetas para levar os produtos à estação. Dali, as frutas seguiam para a comercialização em São Paulo.

Homero ThonHomero Thon era empreendedor: comprava gado da Argentina, vendia em Santo André e o excedente enviava a Santos. Abastecia ainda grande parte dos consumidores de leite de Santo André.

Seguindo a onda de abertura de loteamentos, que proliferavam em Santo André nos anos 1920, Homero Thon loteou parte de suas terras. O primeiro loteamento é sem características urbanas: eram pequenos sítios ou chácaras implantados ao longo das duas vias fora do eixo de penetração, as ruas Guaianazes e Tibiriçá. A segunda parte já tem características residenciais. As duas primeiras avenidas do loteamento eram a Guaianases e a Tibiriçá. A área é agora conhecida com a Vila Homero Thon, nome escolhido, por plebiscito, pelos moradores, que desejavam homenagear ao filho dos imigrantes belgas.

O Parque Industriário em Santo André, entre as vilas Homero Thon e Humitá, também foi propriedade de Homero Thon.

Ocupou diversos cargos públicos - durante várias legislaturas, ao tempo da República Velha, era vereador à antiga Câmara de São Bernardo. Faleceu em 11 de outubro de 1948 em Santo André. Relata a descendente Ladir Redraro Thon: “Homero Thon sempre teve grande influência política na região, apesar da imigração belga para o Brasil não ter sido significativa. A família Thon foi uma exceção, contribuindo para o crescimento da cidade com a venda dos produtos de suas terras.”

O casal Homero – Luíza teve quatro filhos:

  • Arthur Thon (27.03.1898 – 27.05.1978). Era casado com Valentina Berto Thon (24.03.1904 - 05.05.1998). Contador, exerceu essa profissão a partir de 1920. Foi construtor licenciado e atuou como procurador de várias empresas.
  • Oscar Thon (22.02.1900 – 23.06.1923), poliglota, falava português, inglês, francês e alemão. Trabalhou na Texaco. Era futebolista. Vivia em Santos e morreu.
  • Homero Thon Filho (27.06.1901 – 18.03.1978). Casado com Herta Hingst Thon (29.11.1906 – 29.10.1973). Dedicou-se à agricultura e pecuária.
  • Luciano Thon (28.12.1902 – 24.02.1982).  Casado com Ottilia Stockei Thon (15.07.1916 – 24.05.2000), dedicou-se ao comércio.

Outro descendente é Clovis Sidney Thon (21.02.1929), advogado formado pela São Francisco, turma de 1954. Atuou com vereador, prefeito (1963) e assessor na Câmara em Santo André.

Texto de
Marc Storms, baseado na sua pesquisa dia 25.4.2019 no Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa.

Fontes:
1 congresso de História do ABC, 1990. In: Anais do 1 congresso de História do ABC. Prefeitura Municipal de Santo André, 1990. P. 56

Migração, urbanismo e cidadania: A história de Santo André contado por seus personagens / Ademir Medici. [1992]. P. 63

Textos do jornalista Ademir Medici no jornal Diário Grande ABC, entre outros em 7.11. 1976, 16-1-1991, 29-1-1995, 27-4-2000 e 03-06-2006.

Texto da Ladir Redrado Thon, escrito para a exposição “Uma família, uma chácara, um bairro” em cartaz de 05 a 29 de abril de 2000 no Museu de Santo André.

Fotos:
Coleção Luciano Thon Filho. Acervo Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa.

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