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Vlemincx, Henri (1816 - 1883)

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A Bélgica se envolveu muito cedo na construção da infraestrutura ferroviária do Brasil com a vinda do engenheiro Henri Vlemincx, que dirigiu de 1859 a 1865 o Serviço de Tráfego da Estrada de Ferro Dom Pedro II.

Henri Désiré Albert Joseph Vlemincx, filho de Louis Joseph e Sabine Antoinette Marie Josephe Recq, nasceu em Charlerloi em 16 de março de 1816. Optou por uma carreia militar. Foi incorporado ao 11º regimento na província de Brabant, município do 12º cantão de Schaerbeek, em 14 de maio de 1835. Aos 19, ele entrou na escola militar localizada na rue de Namur em Bruxelas. Dois anos depois, em 25 de julho de 1837, Vlemincx foi nomeado segundo-tenente. Após um estágio, foi admitido definitivamente em abril de 1840 e nomeado para o Batalhão de Mineiros Sapeurs em 16 de abril de 1840.

No banco de dados dos Arquivos Nacionais da Bélgica, achamos o Henri Désiré Albert Joseph Vlemincx, lieutenant du Génie, de 32 anos, vivendo no município de Ixelles (perto de Bruxelas) que assinou o certidão de casamento da sua irmã Charlotte Joséphine Estelle Vlemincx no dia 03 de maio de 1848.

No dia 3 de novembro 1858, o Capitão Vlemincx solicitou três anos de licença para se colocar à disposição do governo brasileiro, a fim de cuidar da operação e construção da Estrada de Ferro Dom Pedro II. No dia seguinte, o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores interveio junto ao Ministro da Guerra destacando que "A experiência mostra que esta é a melhor maneira da Bélgica receber encomendas de equipamentos ... Seria, portanto, altamente desejável que o Sr. Vlemincx pudesse aceitar as propostas que lhe foram feitas”. Vlemincx recebe uma licença de um ano e partiu para o Brasil.

O jornal "Correio Mercantil" de 14 de Janeiro de 1860 anotou na primeira página a chegada do engenheiro Vlemincx em dezembro de 1859. Ele foi contratado na Europa por ordem do governo imperial, a pedido da diretoria da Estrada de Ferro Dom Pedro II para administrar a linha e tomou posso no dia 11 de dezembro de 1859. A tarefa de Vlemincx era a contabilidade do trafego, sua inspeção e fiscalização, baseada na prática dos processos e modelos usados nas estradas de ferro bem organizadas.

Oito outros belgas são empregados sob suas ordens, incluindo vários chefes de departamento. O livro "Brasil e Bélgica" informa que o inspetor geral Vlemincx "contribuiu para levar encomendas de material ferroviário para as metalúrgicas belgas". Infelizmente, detalhes sobre estas encomendas faltam. Nossa pesquisa só revelou dois diferente tipos de vagões de cargo fabricados na Bélgica.

Em abril de 1860, o general belga Chazal concedeu-lhe uma prorrogação de dois anos de licença. Sua grande capacidade de trabalho aliada ao espírito empreendedor fizeram com que o governo brasileiro prorrogasse o contrato do capitão Vlemincx como inspetor-geral da parte em operação, por um novo mandato de três anos. Isso é concedido a ele. Em julho de 1865, uma nova extensão de um ano será dada a ele novamente.

No dia 24 de abril de 1865, Vlemincx voltou para a Europa, como consta no "Jornal do Commercio" do mesmo dia. O engenheiro recebeu bastantes elogios pelo trabalho prestado:

"Estrangeiros como o Sr. Vlemincx são sempre bem-vindos: ao contrario da maior parte, ele via sempre em primeiro lugar o que havia de bom no Brazil, e ai detinha suas vistas, passando ligeiramente com a tolerância de um cavalheiro ilustrado e de fina educação, pelos defeitos inherentes a todas as comunões humanas". ... "sua lembrança pendurará gravada na memoria de todas aquelas pessoas que o tratárão de perto, que apreciarão suas eminentes qualidades..." e foi honrado pelo imperador Pedro II com a Ordem da Rosa. O mesmo jornal confirma as informação do livro "Brasil e Bélgica": "O Sr. Vlemincx não foi util somento ao Brazil; promovendo os interesses da empresa, obteve também resultados vantajosos para seu país. Por proposta sua fizerão-se encomendas de material para a estrada de ferro, na importância de centenas de milhares de francos a diversas fabricas da Bélgica; e o resultado correspondeu à espetativa, sendo todos os fornecimentos da melhor qualidade e por preços razoaveis. "

Na Bélgica, ele retomou seu serviço ativo em 1º de outubro de 1866, como adjunto do Comandante da cidade de Antuérpia.& Em 4 de março de 1871, Vlemincx ascendeu ao posto de major, quinze dias depois, em 20 de março, recebeu sua aposentadoria.

Durante este retiro, ele coloca seu tempo livre em perfil para colocar seus desenhos e notas de viagem em ordem. Ele morreu em Bas-Oha (província de Liège) em 13 de agosto de 1883 com 67 anos de idade.

Vlemincx Henri A Gávea

Henri Vlemincx (nome escrito também como Henry Vleminckx ou Henry Vlemincx) era também artista amador. A Instituição Itaú Cultural guarda dele um álbum de 64 desenhos sobre o Brasil, feitos com lápis sobre papel entre 1861 e 1866. O álbum é proveniente da família do artista na Bélgica, e foi conservado por mais de cem anos juntamente com uma coleção de fotografias adquiridas por Vlemincx no Brasil, e algumas, talvez realizadas por ele. A "Brasiliana Itaú: uma grande coleção dedicada ao Brasil" de Pedro Corrêa do Lago. (São Paulo: Capivara, 2014) informa na p. 69 que o Instituto Moreira Salles conserva fotos do engenheiro belga Henri Vlemincx. Infelizmente o Instituto não localizou imagens deste engenheiro no banco de dados.

O trabalho de Vlemincx é importante por registrar vistas raramente observadas por artistas viajantes, mas é sobretudo curioso devido à sua insistência em usar o lápis quando a fotografia já era disponível, e poderia produzir em resultado de muito melhor qualidade na captura da paisagem em um tempo bem menor.

Ponte rio Paraiba desenho do belga Henri Vlemincx

A velha ponte sobre o rio Parahyba perto da estação da Barra do Pirahy. - Vlemincx, setembro de 1865 - Museu Real das Forças Armadas e da História Militar, Bruxelas

O Museu Real das Forças Armadas e da História Militar em Bruxelas, Bélgica guarda, entre outros, no arquivo Vlemincx, um álbum com recordações de estrada de ferro de Dom Pedro II que contem 79 documentos, entre outros desenhos, fotos e mapas.

Fontes:

  • 53 INVENTAIRE du fonds VLEMINCX no Arquivo do Museu Real das Forças Armadas e da História Militar em Bruxelas (https://www.klm-mra.be/D7t/sites/default/files/53_fonds_vlemincx_fr_2015-06-26_1.pdf)
  • Brazilië - België: 145 jaar Belgisch-Braziliaanse betrekkingen. - Brussel: Koninklijk Legermuseum, 1977. (Catalogus van de tentoonstelling)
  • Le Brésil, l'Europe et les équilibres internationaux, XVIe-XXe siècles / Kátia M. de Queirós Mattoso,Denis Rolland. - Université de Paris IV: Paris-Sorbonne. Centre d'études sur le Brésil. - p. 229
  • Brasil e Bélgica : Cinco séculos de conexões e interações / organização Eddy Stols, Luciana Pelaes Mascaro e Clodoaldo Bueno. - São Paulo : Narrativa Um, 2014. - p. 87
  • Brasiliana Itaú: uma grande coleção dedicada ao Brasil / Pedro Corrêa do Lago. - São Paulo: Capivara, 2014. - p. 69