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Vaneau, Maurice (1926 - 2007)

Vaneau Maurice
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Maurice Vaneau nome artístico de Maurits Victor Van den Bossche (Bornem, 25 de janeiro de 1926 - São Paulo, 24 de dezembro de 2007) foi um coreógrafo, diretor, cenógrafo e figurinista de origem belga, naturalizado brasileiro. 

Era filho de Victor e Jeanne Marie Caroline Geniets Van Den Bossche, proprietários de um café-restaurante e de um pequeno hotel. Foi o quarto e penúltimo filho de uma família de cinco irmãos. Passou a infância e parte da vida adulta na Europa. Em 1944, inscreveu-se na Académie Royale des Beaux Arts, em Bruxelas, embora desde criança fosse apaixonado pelo cinema. Chegou a ir a Paris, para se matricular numa escola de cinema, mas perdeu o prazo de inscrição. De todo modo, na Académie Royale, o curso era gratuito, o que era bem conveniente considerando que sua família havia perdido quase tudo durante a guerra. A formação em artes plásticas seria posteriormente útil à sua vida teatral, no seu trabalho como figurinista e cenógrafo.

Em 1946, aos 20 anos, entrou para a École d’Art Théâtral du Rideau de Bruxelas, fundada cinco anos antes pelo ator e diretor Claude Étienne. A escola mantinha uma companhia de teatro, que Étienne viria a dirigir por quase 50 anos. A proposta de Claude Étienne era a de uma grande renovação do teatro belga, rompendo com as tradições acadêmicas. Por essa época, o jovem Maurits adota o nome artístico de Maurice Vaneau e, em 1948, estreia no palco com a companhia do Rideau, na qual permaneceria por sete anos, atuando, dirigindo, confeccionando cenários, figurinos e projetos de iluminação para dezenas de montagens. 

Ao realizar uma excursão pela América Latina com o Teatro Nacional da Bélgica, do qual era o diretor, Maurice Vaneau é convidado por Franco Zampari para integrar-se ao TBC, na condição de diretor artístico. Assume a função em 1955, estreando, no ano seguinte, A Casa de Chá do Luar de Agosto, um dos maiores sucessos da companhia, recebendo os prêmios Associação Paulista de Críticos Teatrais (APCT), Saci e Governador do Estado de melhor direção. Ainda em 1956, dirige Gata em Teto de Zinco Quente, de Tennessee Williams, outra realização bem-sucedida. As Provas do Amor, uma comédia de João Bethencourt, e A Rainha e os Rebeldes, de Ugo Betti, são as criações de 1957. O TBC encontra-se numa séria crise financeira e Vaneau afasta-se da instituição.

Para o Teatro Maria Della Costa (TMDC), dirige, em 1962, O Marido Vai à Caça, vaudeville de Georges Feydeau; bem como a primeira versão de Quatro Num Quarto, de Valentin Kataev, para o Teatro Oficina. Na fase nacionalista do TBC encena Os Ossos do Barão, de Jorge Andrade, grande trunfo artístico da companhia, em 1963. No ano seguinte comanda, para o Teatro Cacilda Becker (TCB), O Preço de um Homem, de Stève Passeur.

Em 1965 cria um de seus mais belos espetáculos: a versão brasileira de Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, de Edward Albee, recebendo o Prêmio Saci de melhor diretor, destacando Cacilda Becker e Walmor Chagas nos desempenhos centrais. Em 1968, para o Teatro Ruth Escobar, dirige a clássica comédia Lisístrata, de Aristófanes, com bom resultado. Afinando suas relações com um teatro menos convencional ocupa-se de duas pequenas produções Um Dia na Morte de Joe Egg, de Peter Nicholson, 1968; e As Moças, de Isabel Câmara, 1969.

Volta à comédia, em 1970, com Black Comedy, de Arthur Laurents; e à vitoriosa direção de Os Rapazes da Banda, de Mart Crowley, reunindo um elenco de primeira linha. Um Equilíbrio Tão Delicado, de Edward Albee, montagem de 1971, reafirma seu talento e sensibilidade no palco. Em 1975 assume a coordenação do Departamento de Teatros da Prefeitura, na gestão de Sábato Magaldi à frente da Secretaria de Cultura. Liga-se à bailarina Célia Gouvêa e ambos, nos anos subseqüentes, realizam diversas montagens de dança. No teatro encena, em 1982, As Malandragens de Scapino, de MolièreEm 1985 assina a direção de Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams; apresentando-se igualmente como intérprete no solo A Tigresa e Outras Histórias, de Dario Fo. Após algum tempo de afastamento dirige, em 1997, Beethoven, de Mauro Chaves. Ao longo da carreira desempenha de modo intermitente as funções de repórter de televisão, cenógrafo, coreógrafo e bailarino.

Fonte: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa359441/maurice-vaneau