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Jourdan, Emilio Carlos (1838 - 1900)

Jourdan Emílio
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Emilio Carlos Jourdan, filho de Carlos Maria Jourdan e Josephina Virginia de La Pierre Jourdan, nasceu nas proximidades da cidade de Namur na Bélgica, em 19 de julho de 1835.

Formou-se engenheiro na sua terra natal. Aos vinte e cinco anos foi para o Brasil, radicando-se no Rio de Janeiro. Casou-se em 1874 com Helena Elizabethe Julia Caffier, filha do francês Charles Augostin Caffier e de Marie Julie Caffier. Do casamento nasceram catorze filhos, dez no Rio de Janeiro, um em Joinville e três em Jaraguá do Sul.

Jourdan Atlas historico da Guerra do ParaguyNaturalizado brasileiro, alistou-se voluntariamente no Corpo de Engenheiros Militares, seguindo para a Guerra da Tríplice Aliança, na qual lutou por cinco anos.  Em 1871, escreveu o relato memorialístico: "Guerra do Paraguay" documentando as suas impressões sobre aquele conflito.

Militar exemplar e estudioso ganhou não somente a amizade, mas também o respeito e confiança dos governantes do Brasil Império e, mais tarde, dos republicanos. Terminada a guerra, continuou no Exército. Estudioso, é patrono de uma cadeira no Instituto de Geografia e História Militar no Brasil e da 3ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada, unidade de Engenharia do Exército Brasileiro situada na cidade gaúcha de Dom Pedrito. O Marechal Deodoro da Fonseca concedeu-lhe o título de Tenente-Coronel honorário e Marechal Floriano o elevou ao posto de Coronel.

Amigo do conde d’Eu, colega de batalha, da Guerra do Paraguai, assinou contrato com a Princesa Isabel, arrendando, por quinze anos, 430 hectares de terras, da sede de Jaraguá (SC) e fazendo promessa de venda de dois mil hectares das terras dotais, nos vales dos rios Itapocu e Negro, no dia 11 janeiro de 1876. 

O contrato e outros posteriores estabeleciam as regras e prazos para o povoamento e extração da madeira, erva-mate e minérios. Alguns historiadores atribuem esta cessão, à iniciativa da esposa do Coronel, Elise Jourdan, junto à Dona Isabel. Outros, à “esperteza” do militar.  

O coronel recebeu terras, ao norte da Colônia Dona Francisca, entre a barra do rio Jaraguá, a leste; e uma das suas margens, ao sul; e à margem do rio Itapocu, ao Norte. 

A cidade de Jaraguá do Sul foi fundada por ele em 25 de julho de 1876, e na qual chegou em 15 de abril daquele mesmo ano, acompanhado de 60 trabalhadores, dos quais 54 negros e 6 brancos, quase todos originários do norte do Brasil.

Após instalar-se na sede da colônia com relativo conforto, iniciou a alocação das primeiras famílias e as desavenças com a Cia Hamburguesa de Colonização, que atuava nas terras vizinhas e na Colônia Dona Francisca. Construiu um rancho, onde instalou a usina açucareira, com 10 fornalhas e capacidade para produzir 2400 litros de aguardente. 

A precariedade das picadas abertas no meio da mata dificultava o transporte de colonos e mercadorias. Mas ainda faltava, igreja, escola e hospital. Em um ano, além de instalar um engenho de açúcar e uma serraria a vapor, Jourdan conseguiu estabelecer 211 pessoas na sede da colônia Jaraguá; tornou navegável o rio Itapocu, pelo qual se comunicou com o porto de São Francisco e abriu mais de 30 Km de estrada para o sertão, iniciando a ligação com Rio Negro. 

É cavalheiro da ordem da Rosa e condecorado com a medalha da campanha mencionada. Escreveu também um “Atlas histórico da guerra do Paraguay” (Rio de Janeiro, 1871) e “Os lavradores, os escravos e a colonização” (Rio de Janeiro, 1871). Faleceu aos 62 anos, em 8 de agosto de 1900 no Rio de Janeiro. É patrono da 3ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada, unidade de Engenharia do Exército Brasileiro situada na cidade gaúcha de Dom Pedrito.

Foi honrado com a Rua Coronel Emilio Carlos Jourdan em Jaraguá do Sul.

Fontes: