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Andrigo, Victor Désiré Clément (1869-?)
Ainda faltam muitas informações sobre Victor Andrigo, engenheiro-arquiteto belga e também cônsul da Bélgica em São Paulo. O sobrenome Andrigo não é muito comum na Bélgica. O site https://familienaam.be/Andrigo só mostra 7 ocorrências em 2008. Uma pesquisa no Arquivo Nacional da Bélgica em Bruxelas mostra que um "Victor Andrigo" com 48 anos foi testemunha em 1897 no casamento do seu sobrinho. Seu irmão Désiré Joseph Andrigo, nasceu em 15.10.1840 em Bruxelas.
Uma busca no arquivo do Ministério das Relações Exteriores da Bélgica em Bruxelas deu mais resultados. O dossiê "Pers 518" contem uma carta escrito no dia 16 de outubro de 1902 de São Paulo ao "le Baron de Favereau, Ministre des Affaires Etrangères à Bruxelles".
Victor Désiré Clément Andrigo informou que nasceu em Schaerbeek, 24 de agosto de 1869, com filho do já mencionado Désiré Joseph Andrigo e de Anna Maria Vandermasten. O seu pai trabalhou durante 35 anos para a rede ferroviária do Estado belga e faleceu em 1893. Sua mãe e irmão vivem, respectivamente, na 24 e 33 rue de la Pépinnière, Bruxelas.
Victor conseguiu se matricular na cidade de Liège para geometria e também para a Escola das Minas, mas abandonou o curso de engenheiro para fazer arquitetura na "Académie des Beaux Arts". Era aluno do famoso arquiteto belga de Art Nouveau Paul Hankar. Infelizmente a carta não menciona em qual cidade ele estudou arquitetura. As cidades de Liège e Bruxelas tinham na época uma "Académie des Beaux Arts". Sobre Hankar achamos a informação que era professor na escola de artes e ofícios em Schaerbeek. E a polícia de Bruxelas informou que Victor, arquiteto, celibatário, venho de Liège, no dia 18 de janeiro de 1893 com a sua família. É bem provável que ele estudou em Liège e depois fiz cursos extras em Schaerbeek com Hankar.
Ele trabalhou durante dois anos com arquiteto em Bruxelas, antes de ser convidado por "compagnons d’études", para se mudar ao São Paulo. Ele chegou em outubro de 1896 em São Paulo.
Victor Andrigo trabalhou em 1897 como engenheiro-arquiteto para a "Commissão Technica de Melhoramentos da Intendência de Obras do Município de S. Paulo", onde outro belga, o arquiteto Florimond Colpaert foi auxiliar técnico, até a data de 10.01.1898 quando a comissão foi dissolvida.
Foi naturalizado brasileiro em 1898, o que lhe permitiu aplicar por postos oficiais. Andrigo foi renumerado engenheiro de 2a classe da "Superintendendência de Obras Públicas" do Estado de São Paulo (órgão criado em 1889), de 1898 a 1901. Lá trabalhou também o engenheiro-arquiteto belga José Van Humbeeck (contratado em 1896) quem projetou dezenas de escolas públicas no Estado de São Paulo.
Com arquiteto foi responsável por projetar o 1º prédio do Butantan (na época denominado Instituto Serumtherapico de São Paulo), concluído em 1901: a antiga Cocheira-enfermaria para animais (cavalos) imunizados para produção de soros (antipestoso e antiofídico).
No mesmo ano, 1901, deu-se o começo da edificação do Hospital Colônia do Guapira, no bairro do Jaçanã (SP), hoje Hospital São Luiz Gonzaga, com plano organizado pelo Engº e Arquiteto Dr. Victor Andrigo. O edifício foi finalizado por Dr. Francisco de Paula Ramos de Azevedo e inaugurado em 04 de setembro de 1904.
"Em 26 de fevereiro de 1902, o jornal O Estado de S. Paulo noticiou a abertura, na prefeitura, das propostas para o pavimentação da Avenida Tiradentes, no trecho entre as ruas Ribeiro de Lima e Márquez de Três Rios. Mencionam-se cinco licitantes, entre eles Victor Andrigo. Presença que atesta seu interesse na execução de obras de infraestrutura urbana." informação recebida do pesquisador em Art Nouveau, o belga Jonathan Mangelinckx.
É desconhecido quais outros edifícios da sua autoria foram executados. Sabemos pelos jornais da época que plantas apresentadas pelo V. Andrigo na Diretoria de Obras da cidade de São Paulo foram aprovadas em 15.01.1903 e também em 06.10.1906.
Era nomeado cônsul da Bélgica na cidade de São Paulo entre 1904-1919. Na pratica ficou menos anos no posto. Durante sua viagem em 1907 à Europa, Arsène Puttemans foi nomeado como gerente do consulado belga. Andrigo sofreu de doenças e em 1914 voltou para ser curado na Bélgica, Inglaterra e Suíça.
Andrigo foi também importador de produtos belgas. Os jornais Commercio Paulistano e A Tribuna (SP) informaram que ele importava caixas de vidros e cristais e chapas de aço desde o porto de Antuérpia.
Os registros da Companhia Paulista de 1934 e 1940 constituem forte evidência documental de que Victor Andrigo estava vivo e era titular de ações da companhia nesse período. O aumento de 100 para 136 ações reforça significativamente essa interpretação. Para transformar essa evidência em prova documental inequívoca de vida, seria necessário identificar a natureza do registro e, sobretudo, a operação que explica o acréscimo das 36 ações.
Houve dois outros Andrigos que possuirem ações: Leticia Andrigo Almeida Prado 14 ações em 1934 e 3 em 1940 e Werner Andrigo de Almeida com 178 ações em 1940. Não há prova de parentesco entre eles.
A data e lugar do seu falecimento ainda são para ser descobertos.
Fontes:
- A representação da cidade de São Paulo nos albores do século XX. Os mapas como operadores na construção da cidade espraiada / Eliane Kuvansney. - USP, 2017.
- Guides des sources de l'histoire d'Amérique Latine conservées en Belgique (1967)
- Gazeta de Notícias (RdJ) 16.06.1898.
- Jornal "O Commercio de São Paulo" de 16.01.1901.
- História dos 110 anos Hospital São Luiz Gonzaga 1904-2014 / Maria Nazarete de Barros Andrade.
- Email dd 17.01.2020 do arquiteto Sergio de Simone, Centro de Memória, Butantan - USP.
- Pesquisa dia 03.02.2020 no arquivo Ministério das Relações Exteriores da Bélgica em Bruxelas.
- Processo de naturalização BR RJANRIO A9.0.PNE.29728 de 08.06.1898.
