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Chegada no Rio de Janeiro

domingo, 19 Setembro, 1920

Epitácio Pessoa Presidente do RepúblicaDepois de uma viagem de 19 dias, ao bordo do encouraçado São Paulo, um navio de guerra brasileiro totalmente transformado em navio de luxo que foi buscar os soberanos belgas no porto de Zeebrugge, os reis da Bélgica, Albert I e Elisabeth, chegaram às 14 horas ao largo do porto do Rio de Janeiro, no domingo 19 de setembro de 1920. Com uma galeota dourada "Mana", datando do século XVIII, segunda uma fonte, ou com o galeão "D. João VI", segunda outra, o presidente da República, Epitácio Pessoa, a senhora Pessoa e o Sr. Robyns de Schneidauer, Ministro da Bélgica no Brasil, vieram ao encontro do encouraçado. A mesma galera os conduziu para terra fixa.

Os passageiros foram muito bem tratados durante a travessia. Um quarteto de cordas, composto de laureados do conservatório do Rio de Janeiro, toucava em horas regulares e à noite filmes eram projetados.

19200902 Cinema

Programa de cinema do dia 02 de setembro de 1920 (Arquivos do Palácio Real em Bruxelas)

Durante o dia, jogos eram organizados e o cardápio foi variado constando de especialidades brasileiras e internacionais. A tripulação era formada de 1.152 pessoas, às quais se juntaram um destacamento de honra de infantaria e um grupo de músicos militares.

Cardapio

Cardápio do almoço no dia 17 de setembro de 1920.

"Homenagem dos Oficiais do CB São Paulo", para Sua Majestade a Rainha dos Belgas 

(Arquivos do Palácio Real em Bruxelas)

Desembarcaram no cais Mauá onde os reis foram colhidos pelos presidentes da Câmara, do Senado e pela Corte Suprema da Justiça, pelos ministros e vice-ministros do Estado, os chefes do Estado Maior do Exército e o prefeito da capital. E a população os recebeu de forma “apoteótica”. Seguiram com o presidente pela avenida Rio Branco, até o Palácio Guanabara, onde alunas do Instituto Nacional de Música e do Liceu Francês cantaram o hino da Bélgica, La Brabançonne.

A cidade encontrava-se enfeitada da Praça Mauá até o Palácio Guanabara com as bandeiras do Brasil e da Bélgica. Os edifícios públicos e particulares ostentavam em suas fachadas as bandeiras belga e brasileira, os cinemas colocaram painéis com retratos dos soberanos circundados com saudações entusiastas.

Passagem do Rei Alberto na Avenida Rio Branco, no dia de sua chegada

Passagem do Rei Alberto na Avenida Rio Branco, no dia de sua chegada (http://brasilianafotografica.bn.br)

Na avenida Rio Branco, senhoritas da Cruz Vermelha venderam mais de 3500 edelweiss e 1500 laços com as cores da Bélgica em favor da Cruzada Nacional contra a Tuberculose. Também era possível comprar postais comemorativos do evento, editados pelos Srs. Theophilo Carinhas & C., que traziam letra e música do hino brasileiro e belga, assim como os retratos dos soberanos belgas e do presidente da república.Avenida Rio Branco RdJ

O casal real chegou ao Palácio do Catete, às 17:35, para a visita protocolar ao presidente da República. Foram seguidos do general Taso Fragoso, do coronel belga Tilkens e da condessa de Chimay. Às 18 h, realização do círculo diplomático, quando os reis foram apresentados a vários embaixadores. Voltaram para o Palácio da Guanabara e, às 20:00, foram a um jantar íntimo no Palácio do Catete. Estavam presentes além dos reis, do presidente e da primeira-dama, a sua filha Laurita Pessoa, e a condessa de Chimay.

Foi servido o seguinte menu: Potage-Crême de mais, Rouler de poisson, Filet Mignon à la jardinière, Legume, Asperges, Roti, Pintado, Salade, Entremez Moscovite de fraises, Dessert.

Livro "Visita da família real belga ao Brasil, 1920. - São Paulo: FAAP, 2010."

Correio da Manhã, 20 de setembro de 1920

Desembarque do Rei Alberto na Praça Mauá