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Os sobrenomes dos imigrantes belgas e seu significado

Sabemos que sobrenomes foram usados na região de Flandres desde o século 13. Este costume se desenvolveu primeiro nas cidades e nas classes altas. Somente durante a ocupação francesa da Bélgica, a partir de 1795, que os sobrenomes foram cadastrados oficial e publicamente nas prefeituras. Uma vez cadastrado, o sobrenome não poderia ser mais mudado. Até essa data, eram as igrejas, na região na sua maioria católicas, que cadastravam os batizados, casamentos e óbitos.  

Razões das grafias diferentes

Encontramos grafias diferentes tanto dos nomes como dos sobrenomes dos colonos belgas. Isso dificulta o trabalho das pessoas que querem conhecer suas origens, aquelas que estão construindo sua árvore genealógica e as pesquisas históricas.

Era comum, naquela época, “abrasileirar” os nomes. Por exemplo, Jan ou Jean ficou conhecido como João; Karel ou Charles como Carlos; Lodewijk como Louis ou Luiz; Hendrik, Henri ou Hendrique. Eles têm a mesma origem, e normalmente são fáceis de reconhecer. Já que deve saber que Guilherme é o mesmo que Willem.

E claro que isto também aconteceu com os sobrenomes. As razões são múltiplas:

  • A maioria dos migrantes eram analfabetos e não podem escrever seu nome, nem verificar o que foi escrito era correto. Outras pessoas escreveram e também assinaram em seu nome – Exemplo carta Hostyn – Hostin.
  • Diferentes dialetos eram falados nas regiões de Flandres e Valonia – ainda vivos até hoje. E a pronunciação de vocais e consonantes muda brutal de um dialeto para outro.
  • E há o fato dos diferentes idiomas na Bélgica. Na ocupação francesa, com o começo do cadastramento dos nomes, o francês era o idioma administrativo. Em 1815, a Bélgica foi anexada aos Países Baixos. O holandês, junto com o francês, era usado nos cartórios e essa situação continuou depois da independência da Bélgica em 1830. Além dos dialetos, há grandes diferenças de pronuncias. Por exemplo, o H normalmente não é aspirado em francês, ocorrendo o contrário em holandês.
  • E, imagine aqui no Brasil, como foram registrados os nomes e sobrenomes no momento dos casamentos ou batizados! Esses devem ser bem exóticos.

Daniel Hostins me pediu ajuda para decifrar uma cópia de um extrato da Cúria diocesana de Blumenau. Nenhum dos 6 sobrenomes mencionados era similar aos nomes dos primeiros colonos. Henrique Kuminke é provavelmente Henrique de Coninck, Maria De Lexanders, Maria De Sanders, e assim por diante. Outro caso conhecido é o sobrenome do prefeito de Gaspar Wan-dall, que originalmente era Vandaele. 

Escrevi “abrasileirar”, mas deve ser também “germanizar”: o sobrenome Sijs mudou para Zeiss e Brackeveld para Brockwald.

Para os registros dos sobrenomes dos imigrantes belgas à Santa Catarina, decedi de usar a lista de bordo do barco "Jan Van Eyck" de 1844 e a lista dos passaportes dados aos migrantes do barco "Adèle" em 1846.

Significado dos sobrenomes

Muitas pessoas querem saber o significado do seu sobrenome. 

Em geral temos alguns tipos:

  1. Descendência: filho de recebeu um ‘s” no final, por exemplo, Christiaens - Lievens - Maes (Patronímico de nome cristão Thomas - alguém que vive às margens do rio Maas)
  2. Sobrenomes com referência geográfica: Brakeveld (Campo inculto) – De Gandt (cidade Gent ou Gand) – Deprez (Do campo) –Fontaine (Fonte) – Maes – Milcamps (Mil campos) – Van Daele (Do vale) – Van Loo (existem diferentes cidades na Belgica com final "lo": Westerlo, Tongerlo) – Vanhamme (cidade Hamme)
  3. Sobrenomes que vieram de profissões: Casteleijn (Zelador de uma pousada ou de um castelo) – Desmet (O ferreiro) – Devleeschauwer (O açougueiro)
  4. E aqueles que mencionam um atributo ou qualidade: De Vreese (O medo) – Hollevoet (Pê concavo) – Lebon (O bem) – Vanijsere (De ferro)

Os sobrenomes acima são todos de belgas que migraram em 1844 ou 1846 para o vale da Itajaí, SC, Brasil.

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