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Expo Ilhota Linha do Tempo

  • 1867

    Kolonie Zeitung 22 junho 1867

    13 de maio falecimento do Luiz Hostyn.  Morreu pela explosão d'um vaz de pólvora que destruiu a casa consta na sua certidão de óbito. 

    Na noite do dia 21 de maio (1867) uma casa explodiu na Colonia Belga do Itajaí grande, a qual abrigava um comércio pertencente ao belga Luis Austin. O próprio Austin, proprietário, iniciou essa enorme imprudência ao acender o seu cachimbo sobre uma barrica aberta de pólvora. Uma centelha inflamou a pólvora e sua explosão destruiu toda a casa. Oito pessoas ficaram mais ou menos gravemente feridas; Austin, entre todos estes, foi o que teve o pior destino; ele foi totalmente queimado e faleceu poucas horas após. A sua esposa correu para o seu filho (criança) doente, cuja cama já estava em chamas; ela conseguiu salvá-lo, mas foi ferida principalmente na cabeça por caibros que desabaram, enquanto a criança sofreu apenas queimaduras leves. Todos os demais presentes sofreram queimaduras mais ou menos graves, também devido às barricas de aguardente que se romperam com a explosão, tendo o líquido contribuído para o alastramento e aumento do poder das chamas. O fogo e o desabamento dos caibros já seriam suficientes para acabar com a vida de todos na casa; mas a mão piedosa de Deus esteve presente para proteger a vida das pessoas, e aqueles que aceitaram receber os devidos cuidados médicos estão se restabelecendo francamente; no entanto, um deles, que tinha mais confiança em curandeirismo (o brasileiro Joaquim Lopes), faleceu.  O belga Maeben foi atirado para fora da casa e sofreu grande ferimento na cabeça, embora não sofra o risco de perder a vida. A construção, com todos os seus utensílios, foi totalmente destruída pelas chamas, mas a casa de morada anexa foi parcialmente poupada.

    Fonte: Jornal "Kolonie Zeitung" de 22 de junho de 1867  

    2201
  • 1871

    O barco a vapor São Lourenço inaugura suas viagens regulares como rebocador de lanchas de carga para fazer o trajeto regular entre Blumenau e Itajaí, que era realizado em 5 horas, e de rio acima em 10 horas.   

    2202
  • 1874

    15 de dezembro: O Conde Charles de Ursel, enviado por Bruxelas, visita a colônia e relata as condições desesperadoras das 22 famílias belgas e seus descendentes.   

    Sem contratos ou papéis, viviam inseguros e incomodados pelo cônsul Schutel, que pretendia cobrar as dívidas de Van Lede.  

    O Conde propôs ao Ministro a anulação da procuração de Van Lede a Schutel e a intimação judicial do proprietário para cumprir os itens do contrato com os colonos, assinado em 1844.

    2203
  • 1875

    Falecimento do Charles Van Lede no dia 19 de julho. No seu testamento, constou a doação de suas terras no Brasil para o "Commissie van Burgerlijke Godshuizen", uma instituição civil que cuidou dos pobres, da cidade belga de Bruges. O administrador reclama a posse das terras no Brasil, mas o Ministério das Relações Exteriores em Bruxelas recomenda não agir contra as famílias e seus herdeiros e herdeiras.  

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  • 1877

    Início da colonização de Luiz Alves.  

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  • Expo Ilhota Carta de 23.10.1878 do Dr. Blumenau

    1878

    Acervo Documental de Blumenau

    Carta do Dr. Blumenau ao Presidente da Provincia, Dr. Lourenço Cavalcanti de Albuquerque, reitera a necessidade do Governo Provincial que defina a situação das terras de Charles Van Lede e herdeiros que se encontram em situação irregular, evitando futuros contratempos. 

    2254
  • Vapor Progresso

    1879

    https://angelinawittmann.blogspot.com/2014/06/as-embarcacoes-no-rio-itajai-acu.html

    O vapor Progresso, construído em na cidade alemã de Dresden, chega a Blumenau em meados de 1879 para facilitar a navegação no Rio Itajaí.     

    2206
  • 1888

    De 22 até 26 de setembro, Ilhota sofreu de uma grande enchente.  

    2207
  • 1889

    A antiga “Colônia belga” conta com uma população de 400 famílias, da qual um terço era de nacionalidade belga, e as outras pessoas, já nascidas no Brasil. 

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  • 1889

    O Hospital de Bruges incumbiu o agrimensor belga Carl Van Dal, morador em Gaspar, da medição e demarcação das terras. Mais de 80 moradores de Ilhota e das vizinhanças agridem o agrimensor e, depois de muitas discussões, o Ministério das Relações Exteriores da Bélgica pronuncia-se a favor dos colonos. Assim, esse assunto pendente é encerrado.   

    2209
  • 1894

    Desterro, capital do Estado de Santa Catarina, passa a se chamar Florianópolis.  

    2210
  • 1898

    24-25 de dezembro: Até a última grande enchente, existia uma pequena ilha no meio do rio, em frente à igreja Matriz São Pio X, que deu origem ao nome do município. A ilha desapareceu após as sucessivas enchentes.  

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  • 1904

    Disputas de terras continuam. Maria Vilain envia uma carta, publicada, no Correio do Povo de 19 de outubro, contando que seu pai, Jean Baptista, comprou 3 ações da Companhia Belga-Brasileira de Colonização, tendo direito a 75 acres de terra. O fato tinha sido negado por Alexandre Justino Regis, que se dizia o dono dessas terras, entrando com ação na justiça.  

    Ao público.

    Para que não fique impune a perseguição que nos foi movida pelo pretenso direito do sr. Alexandre Justino Regis sobre as terras de minha propriedade e de minha mãe, sitas no lugar Ilhota, do município de Itajahy, das quais minha família estava de posse por direito de contrato com uma sociedade Belga [a Companhia Belga-Brasileira de Colonização], há 60 anos e em cujas terras resido há 32 anos, em casa edificada por nós, cultivando as mesmas terras, conservando estradas, pagando direitos durante esse tempo, venho, em razão do mesmo sr. Regis ter obtido sentença favorável perante o dr. Juiz de Direito d'esta comarca na ação de despejo de propriedade que contra nós tentou em maio do corrente ano, lavrar o presente protesto e ao mesmo tempo fazer público as tristes consequências de que temos sido vítimas, devido a tão desumano procedimento do mesmo sr. Regis, que, se não for castigado pela justiça dos homens, sê-lo-há [há de ser] pela de Deus!

    Há 7 anos mais ou menos atrás, tentou o mesmo senhor igual ação de desaprovação, o que não conseguiu por não possuir documentos para provar o seu pretexto direito. Confiantes no nosso justificado direito reconhecido, continuamos a lavrar nossas terras, quando, no dia 31 de maio próximo passado, apresentaram-se na nossa pobre choupana dos meirinhos acompanhados por dois policiais, armados de sabres e espingardas, que disseram vir de ordem do dr. Juiz de Direito botar tudo na rua para desocupar as terras ou nos levarem presas!!

    Respondi que essas terras e a casa eram minhas e de minha mãe, por isso não saía. Deram-nos então voz de prisão.

    Não podendo acompanhar-me minha velha mãe de 84 anos de idade, por se achar doente, vim só ao dia seguinte, não vindo no mesmo dia por não poder caminhar perto de 5 ou 6 léguas a pé.

    No referido dia, à 1 hora da tarde, apresentei-me na residência do dr. Juiz de Direito, que diz-me ter eu desobedecido nas ordens, mandando-me em seguida recolherem à prisão, juntamente com Manoel João Baptista Bondim, possuidor de ações da referida sociedade belga, Vincente Correia dos Santos e Leandro Maes.

    Em tão triste situação, pobre viúva com 54 anos de idade, recorri a um advogado, o sr. Francisco Margarida, que, depois de apresentar algumas dificuldades, conseguiu, no fim de 3 dias de prisão, sob fiança, que me defendesse em liberdade de um único processo de desobediência a que tive de responder no dia 21 de setembro, próximo passado e em o qual fui absolvida unanimemente assim com as outras vítimas. Digo único processo, porque a consciência não me acusa de crime algum, pobre mulher não poderia resistir a quatro homens que me quisessem levar presa!

    Devido a tão injusta perseguição e atemorizada por tão atroz injustiça, minha velha mãe, que, apesar dos seus 84 anos ainda conservava todo o seu juízo e dava-se ainda a trabalhos domésticos, tem dado continuas mostras de enfraquecimento cerebral e tem igualmente perdido à boa saúde que até então gozava; meu irmão João Baptista Villain, pai de 5 filhos menores, andando já adoentado não pôde resistir às nossas infelicidades e veio a falecer no dia 5 de setembro.

    O infeliz Manoel João Baptista Bondim, pai de 8 filhos menores e aterrorizado também pelo processo que tinha de responder, enlouqueceu e já preso em casa de família por ter tentado suicidar-se! Quanto a mim, privada do que me pertence, fora da casa e das terras onde trabalhei durante 32 anos, criando honestamente meus filhos, que hoje, felizmente, se acham todos casados, pois que há 20 anos fiquei viúva com 6 filhos menores, também não enlouqueci porque Deus não foi servido!

    Eis, pois, o quadro de misérias a que fomos reduzidos pela desumanidade do sr. Alexander J. Regis, que não sabemos o que mais pretende de suas infelizes vítimas.

    Concluindo, perguntamos: quais os documentos apresentados pelo sr. Regis para alegar o seu pretenso direito? No entretanto, os nossos que se acham juntos aos autos em poder do Superior Tribunal de Justiça, se originam nas três ações do contrato da sociedade organizada na Bélgica no ano de 1844, pertencentes a meu pai, João Baptista Villain, falecido há 11 anos, natural da Bélgica e bem assim minha mãe, que para aqui vieram no referido ano com Carlos Vandeleid [Van Lede], que já tinha vindo antes comprar terras para a referida sociedade estabelecer uma colônia.

    Essas terras foram compradas uma légua quadrada ao capitão José Henrique Flores, no lugar Ilhota, entre Itajahy e Blumenau, e outras no Belchior e Sarceiro, no mesmo lugar, não sabemos a quem.

    A sociedade dissolveu-se antes do prazo que era de 10 anos, diverso possuidores de ações dessas terras retiraram se para fora do lugar, meu pai porém nunca abandonou sua posse sem que deixasse uma pessoa em seu lugar, residindo ai um filho há pouco falecido em Florianópolis de nome Guilherme Baptista Villain, 14 anos, e eu que já me achava nas mesmas terras há 32 anos até 31 de maio do corrente ano, data em que dali fomos obrigados a retirar-nos.

    Ora, durante 60 anos de domínio nosso nestas terras, nunca nos foi contestada essa posse, somente há 7 anos é que o sr. Regis arrogou-se esse direito sem documento algum, a que nos conste, como estamos informados; por isso naquela ocasião não conseguiu o seu intento, e somente agora! Felizmente ainda confiamos na justiça do nosso Estado e muito breve tentaremos uma ação contra semelhante esbulho, visto já ter-nos preparado com tempo, pois estamos convencidas de que o nosso prejuízo neste feito proveio de demoras e delongas da nossa defesa.

    Itajahy, 17 de outubro de 1904

    Maria Villain

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  • 1906

    Carl Richbieter, dono de uma cervejaria em Blumenau compra a área denominada “Ilhota Flores”, parte da herança de Charles Van Lede.  

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  • 1915

    A empresa de Eletricidade Salto passa a fornecer energia para Itajaí e regiões mais distantes, pelas linhas de transmissão de Blumenau, Gaspar, Ilhota, Itajaí e outros núcleos coloniais na região. 

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  • 1923

    20-21 de junho: Grande enchente em Ilhota.

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  • Expo Ilhota 1930 EF

    1930

    Acervo Adalberto Salviano Castellain

    Em junho foi iniciada a construção da Estrada de Ferro Santa Catarina (EFSC) ligando, entre outras cidades, Itajaí à Blumenau. 

    Na foto: Trecho de Ilhota – Feitor: Pedro Castellain, trabalhadores: João Pôlo, Tsjano Bento, Pulcedônio Machado, Valentim Pedro Filips, Edwiges Maes, Francisco Ronato, Juca Castellain, Manoel Oliveira e Bertoldo João Pedro.

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  • 1930

    Desde 26 de agosto, Itajaí tem o seu território dividido em quatro regiões administrativas:  Itajaí, Penha, Luíz Alves e Ilhota. 

    2217
  • 1930

    No dia 21 de setembro foi aprovado o projeto estadual criando o 4° Distrito de Itajaí, sendo Ilhota.   

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  • Expo Ilhota 1931 Casarão Belga

    1931

    Acervo Adalberto Salviano Castellain

    A instalação do distrito de Ilhota e do prédio da prefeitura, chamada de intendência na época, no atual Casarão Belga, acontece no dia 14 de fevereiro.

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Lei de Incentivo à Cultura, apoio e patrocinadores

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DesleeClama Impextraco Parafix Secretaria especial da cultura

Agradecemos as empresas pelo patrocínio da exposição “A colônia belga e seus descendentes no Vale do Itajaí”, projeto aprovado pela Lei Rouanet.

O curador da exposição é Marc Storms, coordenador do "Patrimônio belga no Brasil". Ela foi elaborada com a Associação Ilha Belga e é apoiada pelo Embaixador da Bélgica, Sr. Patrick Herman, o Cônsul Geral da Bélgica para São Paulo e região Sul, Sr. Matthieu Branders, o Cônsul Sr. Thomas Maes e o Sr. Jeroen Servaes, Cônsul Honorário em Florianópolis (SC).

Os textos da exposição são de autoria de Marc Storms, a partir de pesquisas bibliográficas e iconográficas, que orientou a seleção das imagens e a concepção expográfica. Ana Starling da Bizu [estúdio e editora] desenvolveu o design gráfico da exposição. Sueli Ana dos Santos, presidente da Associação Ilha Belga, coordenou os vídeo-depoimentos que foram gravados e editados por Raul Neves e sua equipe da TV Gaspar. Daniel Hostins, vice-presidente da Associação Ilha Belga, coordenou as pesquisas em relação às árvores genealógicas. Alessandro de Oliveira Amadeu da CQS/FV Advodagos coordenou a assessoria e orientação em clearance jurídico. Rafael Aleixo cuidou da contabilidade.