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Schoeps René Jean Pascal (1904 - 1969)

Schoeps René
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René Jean Pascal Schoeps nasceu no dia 15 de abril de 1904 na Rue Marta 17 em Laken, Bruxelas.

Seus pais, Pascal Pierre François Schoeps (Lovaina, 1867) e Anna Graff (Schaarbeek, 1879), visitaram, provavelmente junto com René, o Brasil pela primeira vez antes do começo da primeira guerra mundial. Na Rua Vilela 1, esquina com a Avenida Celso Garcia em Tatuapé, na estrada de São Paulo para Santos, foi inaugurado em 23 de novembro de 1913 um Parque Recreio Belgo-Brasileiro. Um belga de Bruxelas, Pascal Schoeps, introduziu assim no Brasil um tipo de taberna com música, jogos e bailes, que com suas janelas verdes em meio a ipês se parecia muito, segundo o visitante belga Louis Piérard em 1920, com as guinguettes parisienses ou com casas recreativas como Moeder Lambic e Ziska, localizadas na praia belga de Knokke.

Schoeps PascalSchoeps Ana Graff

(foto: Schoeps Pascal - Schoeps Ana Graff)

Durante a primeira guerra estevam de novo na Bélgica com prova o certificado que a Sra. Schoeps Rua Scilquin 66 a St. Josse ten Noode, foi empregada no serviço de abastecimento como caixa de 14 de março de 1916 a 31 de maio de 1919 a nossa total satisfação.
Voltaram ao Brasil em outubro de 1920 como confirma uma notícia no jornal A Razão de 10.10.1920. Relata que o vapor belga “Belgier”, vindo da Antuérpia com carga geral para o Rio [de Janeiro] entrou à barra com ao bordo o oficial belga Pascoal Schoeps, esposa e filho, para instalar-se no país. Pascoal estava doente, com bronchoplemeuse causada pelas privações nas trincheiras da guerra e aos gases asfixiantes que foi exposto.

Schoeps René e Maria de Castro

(foto: Schoeps René e Maria de Castro)

René casou-se com Maria Guedes em Belenzinho, distrito de São Paulo (SP) em 15 de julho de 1922. O casal teve nove filhos, Renato, Emílio, Alberto, Osvaldo, Paulo, Iracema, Gilberto, Olavo e Julieta, e morava até 1969 na Rua Ester, Vila Alpina em Santo André.

Trabalhou na área de contabilidade da Companhia Brasileira Fichet e Schwartz-Haumont até tornar-se diretor desta empresa. De origem francesa, a metalúrgica abriu sua sede na Avenida Industrial na cidade de Santo André em 1923. A Fichet funcionou no mesmo endereço por quase sete décadas. Faliu em 1996. Outros belgas trabalharam também na Fichet, como Raymond Felician Devisscher, desenhista de estruturas metálicas.

René gostava muito de fotografia. Ele fundou junto como seu filho Emílio o Câmera Clube de Santo André e participou de vários concursos fotográficos. Fotos dele foram publicados no livro “Avenida Industrial: um século de história em Santo André”. Outras estão em exposição no Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa que guarda o acervo de fotos do René e também alguns filmes. As fotos se destacam com seu grande valor documental sobre Santo André na época.

E René era uma pessoa muito social que ajudou a fundar diversas sociedades entre elas a primeira sociedade “amigos de bairro de Santo André” em Villa Alpina, cujo trabalho resultou, entre outros, na criação de um posto de puericultura, o “Clube do Livro de Santo André”, a já mencionada Câmera Clube e também um cooperativo de produtores de ovos. Santo-André era bem rural na época com muitas chácaras no seu território. René era uma pessoa culta, os nomes dos filhos já indicam isso. Ele tinha uma grande coleção de discos de vinil de música – doada à Faculdade de Santo André -, uma coleção de livros em francês, alguns filmes em 35mm e organizou exposições de pinturas.

Faleceu em 1969, com 65 anos em Santo André. Ele nunca se naturalizou brasileiro.

Fontes:

  • Visita ao Museu no dia 7 de abril de 2016 e conversa com Rosana A Schoeps
  • Conversa no dia 3 de novembro de 2018 com Iracema Schoeps
  • Livro: Avenida Industrial: um século de história em Santo André (SP) / Solange A. Barreira e Fabiana Pereira. – São Paulo: Sobarreira Editoração, 2015.
  • Capitulo “Interlocuções etílicas entre o Brasil e a Bélgica” de Daisy de Camargo no livro “Brasil e Bélgica”.
  • Livro “Salões Circos e Cinemas de São Paulo” de Vicente de Paula Araújo. Editora: PERSPECTIVA - Ano: 1981, p. 321.

Fotos:

  • Rosana A Schoeps
  • Coleção René Schoeps. Acervo Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa. Publicadas com a autorização do Museu.
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"Barraco fechado", foto apresentada no 1º Salão de Arte Fotográfica de Santo André. Abril de 1953.

Foto e Coleção René Schoeps. Acervo Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa.

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Vista panorâmica de Santo André a partir da Rua Ester, nº21, Vila Alpina, Santo André. Ao fundo, à direita vê-se a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Centro de Santo André, ano de 1945.

Foto e Coleção René Schoeps. Acervo Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa.

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Enchente no prédio da Cia. Brasileira Fichet Schwartz Hautmont localizada a Av. Industrial. A empresa foi desativada em 1990.

Foto e coleção René Schoeps. Acervo Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa.

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Vista da construção do prédio da Cia. Brasileira Fichet Schwartz Hautmont, localizada à Av. Industrial, 16 de janeiro de1924.

Foto e coleção René Schoeps. Acervo Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa.

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Início da construção do prédio da Cia. Brasileira Fichet Schwartz Hautmont localizada a Av.Industrial. A empresa foi desativada em 1990. Década de 1920.

Foto e coleção René Schoeps. Acervo Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa.

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Instalações da Cia. Rhodia Química, Santo André, s/d.

Foto e Coleção René Schoeps. Acervo Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa.