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Jean, Yvonne (1911 - 1981)

Jean Yvonne
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Yvonne Jean, nasceu em Antuérpia, em 20 de abril de 1911. De origem judia, fugindo da invasão nazista em seu país, imigrou com a família para o Brasil em 1940. Logo nos primeiros anos após sua chegada, Yvonne se estabeleceu como jornalista na imprensa carioca. Seu nome ao chegar no Brasil era Yvonne Silberfeld. Na imprensa, ela assina com o pseudônimo Yvonne Jean e, ao casar, seu nome se torna Yvonne da Fonseca. Radicalizou no Brasil até sua morte em 24 de março de 1981.

Entre 1941 e 1971, a antiga histologista e agora jornalista escreveu crônicas e reportagens sobre diversos temas, mas principalmente sobre arte, cotidiano, cultura e educação para os jornais Diário de Notícias, Correio da Manhã, Última Hora e Correio Braziliense, entre outros títulos.

Yvonne Jean

Em 1962, Jean migrou com a família para a nova capital brasileira atendendo ao convite do antropólogo Darcy Ribeiro para entrar para atuar na nova Universidade de Brasília. Na UnB ela trabalharia para o Centro de Extensão Cultural. Neste momento, se opera um encanto esperançoso muito parecido com o que ela vivenciou quando da chegada ao Brasil: sua produção na imprensa é marcada pelas observações do cotidiano, por suas expectativas quanto ao desenvolvimento da cidade e pelas reivindicações em tons otimistas.

Pessoa de intensa vida intelectual, ligada ao Partido Comunista Brasileiro, Yvonne destacou-se como escritora, jornalista, tradutora, intérprete e professora. Atuou na Brasília nas redações dos jornais Correio Braziliense e Jornal de Brasília. Durante vários anos, sua casa funcionou como ponto de encontro de intelectuais, artistas e militantes políticos da cidade. Apesar do exílio de Darcy Ribeiro e outros tantos colegas, Jean permaneceu residindo em Brasília até o fim de sua vida. Durante a ditatura militar, em 1969, foi acusada de fazer parte de uma reunião do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Em 1971 Jean é considerada culpada. Uma semana depois da sentença, em 6 de abril de 1971, ela sai do Correio Braziliense e não retoma mais às suas atividades recorrentes na imprensa. Após recursos, sua condenação é confirmada em 1972: 12 meses de prisão convertida à prisão domiciliar devido às suas condições de saúde. Nesse período, ela escreveu um livro sobre sua experiência de prisão e julgamento e outro com memórias de suas mais importantes entrevistas na imprensa. Ambos, no entanto, não foram publicados – embora seus livros infantis das décadas anteriores tenham sido reeditados.

Ela faleceu, viúva, em 1982, ainda residindo em Brasília, onde mora seu único filho, João Luís. Seu herdeiro doou todos os materiais do escritório da mãe para o Arquivo Público do Distrito Federal, que disponibiliza o Fundo Privado Yvonne Jean para consulta no local.

 

 

Fontes: 

Fotos:

  • Arquivo Público do Distrito Federal – Fundo Privado Yvonne Jean.